quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Clube Tiradentes completa 50 anos sem rumo para a ociosidade dos dias atuais

O dia 27 de julho deste ano passou em brancas nuvens para quase todos os moradores do Parque Araxá e adjacências. Mas teve um significado histórico para o nosso desenvolvimento, pois marcou o transcurso dos 50 anos de fundação de um espaço que é, até hoje, a maior referência sócio-cultural do bairro, no caso o Clube Recreativo Tiradentes. Infelizmente, esse aniversário (Bodas de Ouro) não teve nenhuma comemoração porque, como se sabe, a agremiação está há vários anos sem diretoria e suas dependências encontram-se em adiantado processo de abandono e dilapidação, e só não foram invadidas ainda por conta do trabalho determinado do aposentado José Fernandes de Almeida (Zezinho), que tomou para si a missão de preservar o que restou das glórias do passado, principalmente os troféus e medalhas conquistados com a realização dos melhores bailes de Carnaval da cidade.

O Clube Tiradentes foi fundado no dia 27 de julho de 1960, como uma sociedade sócio-recreativa, esportiva e cultural, com sede na Rua Tiradentes, 851, objetivando congregar sócios sem distinção de cor, sexo, crença religiosa ou facção política e tendo por finalidade promover reuniões e diversões de caráter esportivo, intelectual, artístico, social e cívico. Por várias décadas, seus salões eram frequentados por representantes de diversos segmentos da sociedade do Parque Araxá, mas a situação começou a ficar dífícil em meados dos anos 80. Segundo Zezinho, isso aconteceu devido a uma série de fatores, notadamente a mudança de costumes e o aparecimento de festas de Carnaval em cidades e praias do interior cearense, que atingiram todos os clubes de subúrbio da capital.

No caso do Tiradentes, tivemos como agravante ainda a promoção de alguns eventos que culminaram com casos de violência, deixando uma imagem negativa perante a comunidade. Isso ocasionou o abandono por parte dos fundadores, diretores e associados, tanto que hoje muitos deles se negam a participar de qualquer reunião que possa definir o futuro do clube. Zezinho garante que nos últimos anos fez várias tentativas neste sentido, mas não obteve resultados positivos, e é obrigado a alugar a quadra esportiva e os salões para eventos particulares como forma de saldar débitos com água, luz, IPTU etc. “Quase todo dia aparece gente por aqui, querendo alugar ou arrendar o clube para ficar fazendo festas e outros projetos sociais, mas não se pode fazer nada, porque não sou nem diretor, estou apenas “pastorando” e às vezes tiro dinheiro do meu próprio bolso para não deixar isso aqui se acabar de vez ou ser invadido pela especulação imobiliária”, afirma.

Como se vê, não há mesmo nada para comemorar no transcurso dos 50 anos do Clube Tiradentes. Resta-nos apenas relembrar seu passado de inesquecíveis bailes carnavalescos, festas dançantes, shows com artistas de renome nacional e campeonatos conquistados no futsal, e torcer para que um dia apareça alguém com capacidade e disposição para dar um rumo à ociosidade dos dias atuais.

As paredes e colunas formam um espaço ocioso no coração do Parque Araxá

Zezinho espera por uma definição sobre o futuro da agremiação

(Matéria de capa da edição de novembro do JPA)

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